Tendências de consumo num mundo pós-covid-19

Tendências de consumo num mundo pós-covid-19

Vivendo no contexto de uma pandemia e da crise econômica e social que se seguiu, quando olhamos pra frente, o futuro parece — e é — incerto. Mas não dá pra dizer que passamos por estes últimos 3 meses sem aprender lições que devemos levar e aplicar nos negócios daqui pra frente. 

Descobrimos, por exemplo, que até o mais conservador dos consumidores estava, sim, pronto para o varejo online. Que o que a maioria destas pessoas precisava era de incentivo e apoio das marcas. E que os recursos para ajudar os usuários a encontrar o que precisam já estão à mão — nos canais de comunicação, nas plataformas de atendimento, nas ferramentas de marketing.

Aprendemos que sobrevivem e se destacam, sobretudo, aquelas empresas que inovam e se adaptam com rapidez às necessidades e mudanças no comportamento do público. E que a digitalização é peça fundamental nesse processo. Assim como são os dados, essenciais para tomada de decisões mais certeiras e efetivas. 

São essas experiências — que não vieram descritas num manual, mas são fruto da vivência de empreendedores, colaboradores e do próprio público — que vão pautar as grandes tendências de consumo num mundo pós-covid-19. E eu te convido a olhá-las mais de perto comigo. 

O novo “normal” para o consumidor

Pesquisadores da Universidade de Minnesota apontam que a pandemia do Covid-19 pode durar até dois anos, com o ressurgimento de surtos de tempos em tempos. Já para o cientista-chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS), Soumya Swaminathan, ainda deve levar 4 ou 5 anos para que o coronavírus esteja sob controle. 

Ou seja: ainda sem expectativa para uma vacina ou mesmo um tratamento comprovado para a doença, as pessoas buscam se habituar a um novo “normal”, em que as medidas de prevenção, como os cuidados com a limpeza e o distanciamento social, devem seguir como prioridade na rotina. 

Nesse sentido, pesquisas feitas pelo Opinion Box revelam que 66% dos brasileiros pretendem se manter vigilantes em relação a higiene pessoal, mesmo num cenário pós-pandemia. Além disso, provavelmente na tentativa de diminuir o contato com outras pessoas ou mesmo porque aprovaram as facilidades do serviço, 49% devem continuar fazendo suas compras de supermercado online ou por delivery

O fato é que, uma vez com menos acesso ao varejo físico, os consumidores migraram para o virtual. O resultado foi um crescimento exponencial na demanda, pegando muitos negócios de surpresa. A solução? Tecnologia para acelerar processos e garantir a efetividade nas vendas. 

Digitalização e automação 

Listada pelo Euromonitor International entre as 10 principais tendências de consumo para 2020, o uso de Inteligência Artificial para automatizar processos permite que marcas ofereçam conveniência e conforto para seus consumidores, entregando resultados com muito mais rapidez e eficiência, ao mesmo tempo que desonera e otimiza a performance dos times

E essa tendência ficou ainda mais evidente frente à crise. Com o aumento na demanda,  saíram na frente aquelas empresas que contavam com processos automatizados e podiam, portanto, atender melhor o cliente. 

E isso vai desde o suporte para aqueles consumidores que estavam comprando online pela primeira vez e, por isso, precisavam de mais ajuda; passando pela facilidade de ter ferramentas integradas ao CRM ou base de dados que permitam criar ações de engajamento muito mais personalizadas; até soluções para gerir o atendimento, acompanhar o pós-compra e garantir a satisfação do consumidor. 

A necessidade de estar onde o consumidor está, entregar aquilo que ele precisa e garantir sua sobrevivência acelerou o processo de digitalização de muitas empresas, que ainda devem se beneficiar muito com esse movimento no futuro.

Identificação e conexão

De acordo com o Global Consumer Pulse, da Accenture, 83% dos consumidores brasileiros preferem comprar de empresas que têm propósitos e valores alinhados com os seus. E, vivendo uma crise, o público nunca esteve tão sensível e atento ao posicionamento das marcas.

Por sua vez, na busca por identificação e conexão, as organizações tem sido cada vez mais diretas e francas sobre o momento que vivemos e como elas estão colocando o que tem de melhor a serviço da comunidade. 

Vemos empresas anunciar, nos horários nobres da TV, sobre como esta fase será difícil e como vamos errar. Mas elas vão além: mostram suas ações, assumindo uma postura solidária e humana, apoiando consumidores e colaboradores, e divulgam sua iniciativas — como a licença para funcionários no grupo de risco ou o direcionamento de recursos para ações de combate a doença —, provocando a empatia do público.

Todas essas ações tem uma apelo forte e significativo para o consumidor, fazendo com que ele abrace a marca e se torne um multiplicador, divulgando-a para sua rede, e mantenha-a próxima. 

Consciência ampliada

O lockdown despertou no consumidor uma valorização pelo fator humano. Ele preza pelo seu bem-estar, equilíbrio e saúde. Por isso busca entender o que realmente é prioridade na sua rotina. 

Como colocou a diretora de marketing e relações públicas da Ally Financial, Andrea Brimmer, à Meio e Mensagem: “as pessoas estão percebendo tudo o que não é essencial e aprendendo que é possível agir rapidamente — não há grandes repercussões por não ter 32 reuniões de governança e 50.000 e-mails”.

E isso se reflete nas suas escolhas — inclusive nas decisões relacionadas ao consumo. Esse consumidor quer conhecer quem são as pessoas por trás das marcas e saber sobre suas histórias. E quer contribuir, participar.

Não à toa o grande movimento que vimos nas redes sociais, para apoiar os pequenos negócios: a padaria da esquina, a loja de roupas do bairro, os produtores da feira local. É uma manifestação de apoio aqueles que lhes são caros e próximos. 

E esse é um comportamento que deve se permanecer. Ainda de acordo com as pesquisas do Opinion Box, 53% do público pretende continuar comprando de pequenos produtores locais, mesmo depois do fim da pandemia. 

Além disso existe uma atenção redobrada sobre as marcas: a construção da sua imagem, reputação e a consistência entre o seu discurso e as suas ações é fundamental. 

Os consumidores estão vendo a sua marca por uma lupa. Tudo está em evidência e não tem como voltar atrás. Então fica aqui a provocação da professora da Escola de Negócios da Universidade de Nova York, Amy Webb: “Temos uma escolha a fazer: queremos confrontar crenças e fazer mudanças significativas para o futuro ou simplesmente preservar o status quo?”

Comments

comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *