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O que ser voluntária nas Olimpíadas me ensinou sobre Marketing

Quem leu as notícias sobre atrasos de obra e cortes de orçamentos das Olimpíadas e Paralimpíadas deve ter imaginado que todo o evento, inclusive a seleção dos voluntários que estão trabalhando lá, foi feita no jeitinho e de última hora. Não foi. Eu, que sempre fui fã de esportes, fui escolhida para ser a supervisora do Centro de Comunicação do Hockey sobre a grama da Rio 2016.

E o processo seletivo, que durou cerca de dois anos, me ensinou não só sobre a história dos Jogos, como também sobre como o Marketing pode – e deve – se portar.
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Fiz a inscrição em 2014, quando ainda estava na faculdade. Me pediram currículo, dados pessoais, disponibilidade, áreas de interesse e testes comportamental e de idioma, além das etapas presenciais. Tudo bem aos moldes dos processos seletivos de empresas. Ano passado, ainda sem saber se havia sido escolhida, participei de uma série de cursos online. “A História dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos”, “Excelência em Serviços” e “Diversidade e Inclusão” foram alguns dos tópicos da nossa grade curricular. A carta convite só chegou no final do ano e, a partir de então, comecei a receber uma preparação específica para a minha função. O bacana foi que, junto com o convite, recebi também muito apoio de toda a equipe da Social Miner, que me ajudou a construir um horário flexível que me permitiu ficar no Rio durante todo o período das Olimpíadas.

Durante todo o treinamento, ficou claro que o objetivo principal de todo o processo ia muito além da seleção de pessoas, pura e simplesmente. O Comitê queria, na verdade, confirmar se os candidatos tinham os posicionamentos e ideais defendidos pelos Jogos Olímpicos, como potencial de liderança, sensibilidade cultural e respeito por todas as crenças, etnias e costumes. Mais do que saber se eu cumpriria meu período de trabalho, o Comitê queria saber se o faria com qualidade. Não à toa, os voluntários que não se sentiam confortáveis com seu nível de inglês receberam cursos gratuitos oferecidos pela escola de idiomas EF. Isso sim é vontade de receber bem os gringos 🙂

Pessoalmente, achei toda a preparação muito profissional e, como publicitária, senti falta de ter aprendido esses conceitos básicos na faculdade. As lições que aprendi iam muito além de cidadania. Elas mostravam, na prática, todos os princípios do que chamamos de People Marketing: entregar um serviço excelente para o “cliente”, no caso, os espectadores e atletas dos Jogos, tratar com respeito cada pessoa, sempre considerando  sua individualidade na hora da comunicação. No fim das contas, a relação funcionários das olimpíadas x espectadores e atletas é bem parecida com a do varejo x consumidor. Tivemos que ter paciência para ouvir reclamações e agilidade para corrigir erros da forma mais rápida e eficientemente possível, sempre nos colocando no lugar do outro para entender sua necessidade real.

O que me deixou mais feliz foi ver o resultado de toda essa preparação. O Brasil recebeu muito bem todos os visitantes e fizemos com que todos tivessem uma ótima experiência no nosso país. Entregamos nosso melhor, em todos os aspectos, e foi isso que fez a Rio 2016 ser tão especial e tão bem avaliada. Seja no marketing, nas vendas ou nas Olimpíadas, a diferença entre entregar um serviço que seja a nossa cara – e a cara de quem irá recebe-lo, faz toda a diferença.

 

Mariana Marins  (Nana), Especialista em People Marketing na Social Miner.

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