Duas mãos azuis segurando dois dados laranjas demonstrando a manipulação de dados na internet.

Manipulação de dados na internet: risco ou benefício?

O assunto é quente e não é novo: a manipulação de dados na internet vem ganhando espaço na discussão pública há alguns anos, especialmente após escândalos internacionais, como o que a Cambridge Analytica se envolveu

O assunto foi, inclusive, tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) em 2018: “manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet”. Em tempos de fake news e em que os fatos travam uma batalha constante com a desinformação nas redes, a escolha não podia ter sido mais pertinente.

A manipulação de dados na internet e a arte de influenciar pessoas

Duas mulheres avaliando os riscos e benefícios manipulação de dados na internet.
Manipulação de dados na internet tem grande influência na vida em sociedade.

Na Grécia antiga, filósofos já estudavam a retórica para se comunicar com eloquência, a fim de convencer e persuadir seu público. No mundo moderno, a propaganda foi um dos pilares para disseminação e ascensão de ideologias políticas e, como a gente sabe, foram usadas para fins desprezíveis, como o nazismo.

No mercado, a “influência” têm protagonismo na relação entre marcas e consumidores, mostrando para essas pessoas por que elas precisam daquele produto ou, num nível mais sutil e talvez ainda mais poderoso, para vender uma experiência, status ou estilo de vida.

A manipulação dos dados está em tudo. Nas informações que escolhemos e naquelas que são escolhidas para nós. Naquilo que dizemos e naquilo que escolhemos omitir. Ela está nos jornais, nos anúncios publicitários, na TV e na internet.

Mas ela também está numa simples conversa de bar, entre amigos. Está na escolha das palavras, no acesso à informação de qualidade e, infelizmente, à falta dela também. No caso da desinformação, a internet tem desempenhado um papel importantíssimo.

A web é um ambiente que permite, ao mesmo tempo, a disseminação rápida de informações e pouquíssimo controle sobre esse conteúdo. Mesmo que tenha muita gente fazendo o bem, usando a manipulação de dados dos usuários para otimizar a sua navegação online, outros tantos estão se valendo do controle destes dados para atrair acessos para os sites ou, pior, para construir ou destruir reputações.

Mas a manipulação  de dados na internet é algo ruim?

Uma mulher e um homem em frente ao computador avaliando a Manipulação de dados na internet para a empresa.
A manipulação e controle de dados na internet pode facilitar a vida dos usuários on-line.

Não necessariamente. A manipulação de dados é o que permite o seu aplicativo de streaming de músicas favorito recomendar uma música de que você goste. É também o que garante que você vai receber uma promoção especial para aquela bota que você vem namorando no site X há um tempão.

Aliado à automação, o tratamento de dados na internet humaniza canais de comunicação, personalizando a experiência online do usuário. Ela faz com que as pessoas tenham acesso àquilo que mais gostam ou precisam, baseado nas suas necessidades e preferências individuais.

O problema é que, se temos acesso a muitos dados e tecnologias capazes de interpretar essas informações de forma inteligente, não estimulamos os usuários a interpretar as informações presentes na internet com um olhar crítico e afiado.

E o que podemos fazer para lidar com a manipulação de dados na internet?

Da parte das empresas, é preciso adotar medidas de proteção e controle de dados, colocando a privacidade e os direitos dos usuários em primeiro lugar, agindo de forma ética para oferecer o melhor serviço de forma justa. Aspecto, inclusive, já previsto pela Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).

Controle de dados e a sociedade

O time da empresa alinhado a manipulação de dados na internet.
As empresas têm um papel de destaque na manipulação de dados na internet de forma responsável e construtiva.

Esse é um caminho que precisa ser construído com o apoio da sociedade. Não é uma responsabilidade exclusiva das empresas. Grandes companhias, como o Facebook, têm investido na conscientização dos usuários quanto às notícias compartilhadas em série, especialmente para alertar sobre as notícias falsas e o impacto que a manipulação de dados na internet tem sobre a sociedade.

No Whatsapp, por exemplo, as mensagens que são reproduzidas de uma conversa para outra vêm com avisos de que a mensagem foi encaminhada. Isso na tentativa de apelar para a capacidade do usuário de avaliar quais informações podem e devem ser checadas.

Cabe às pessoas, portanto, também fazer a sua parte. Buscar diversificar as fontes de informação, fazer uma pesquisa ativa antes de disseminar ideias online, ler sobre manipulação e tratamento de dados e contribuir para uma comunidade digital mais saudável e rica.

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