Três pessoas com a bandeira de arco-íris ao fundo sentadas sobre uma TV, também com a bandeira do arco-íris, demonstrando que a comunidade LGBT deve estar no mercado de trabalho.

Inclusão LGBTQIA+ no mercado de trabalho de marketing digital!

Mais de 10% da população  brasileira se considera representada em alguma das letras da sigla LGBTQIA+. Apesar dos números reais ainda serem desconhecidos, o fato é que cada vez mais precisamos pensar (e repensar) como tornamos os ambientes corporativos mais diversos e inclusivos.

Se você não se identifica com nenhuma dessas siglas, já pensou em não passar em uma entrevista de emprego por causa da sua orientação sexual? Ou ter que ouvir aquelas “piadas” — que não são piadas, mas ofensas — dos colegas ou até mesmo do chefe? Pois essa é a realidade de muitas pessoas da comunidade LGBTQIA+.

As conquistas dos últimos anos foram fundamentais para dar mais voz, mobilizar aliados contra a discriminação e fortalecer a luta LGBTQIA+ no mercado de trabalho e a diversidade dos ambientes corporativos. Mas estamos apenas começando…

Dos gêneros binários à não-binaridade

Cinco pessoas em volta de um coração com a bandeira de arco-íris e escrito LGBTQIA+, mostrando a ocupação da comunidade LGBT no mercado de trabalho.
Entender a sigla para compreender a importância da inclusão da comunidade LGBTQIA+ no mercado de trabalho.

Como bem diz o subtítulo, para  pensarmos em diversidade e  inclusão, primeiro é preciso entender que existem pessoas que não se sentiam inclusas dentro da sigla LGBT e que, por isso, ela continuou crescendo ao longo dos anos, chegando a atual LGBTQIA+.

Isso envolve questões de binaridade, sendo: 

  • Binários os gêneros legitimados pela sociedade, ou seja, homem ou mulher. Uma pessoa binária é aquela que se identifica com um desses dois gêneros em sua totalidade.
  • Não binários são aqueles que não se identificam totalmente com os gêneros binários (homem e mulher). Sendo assim, podem se identificar com outras identidades de gênero, como agênero, demigênero, bigênero, gênero-fluido, genderqueer, entre outros.

Ou seja, a evolução da sigla LGBT para LGBTQIA+ tenta dar conta dessa diversidade dentro da própria comunidade, incluindo todos aqueles que habitam o movimento. A sigla, que nasceu com apenas três letras: GLS (Gays, Lésbicas e Simpatizantes), hoje conta com oito letras e símbolo, que significam: 

  • L: lésbicas, mulheres que sentem atração pelo mesmo gênero; 
  • G: gays, homens que sentem atração pelo mesmo gênero;
  • B: bissexuais, pessoas que sentem atração por mais de um gênero; 
  • T: transexuais ou transgênero, pessoas que se reconhecem com um gênero diferente daquele atribuído no nascimento. 
  • Q: queer, pessoas que transitam entre os gêneros, ou seja, se reconhecem dentro da não binaridade. 
  • I: intersexo, ambiguidade dos orgãos sexuais ou cromossimica, ligam-se à não binaridade. 
  • A: assexuados, pessoas que não desenvolvem atração sexual por nenhum gênero e/ou não tem uma identificação de gênero própria, também se encaixam na não binaridade. 
  • +: inclui todas as demais possibilidades de orientação sexual e identificação de gênero. 

Diversidade e inclusão: LGBTQIA+ no mercado de trabalho

Não é de hoje que a comunidade LGBTQIA+ enfrenta dificuldades para ingressar no mercado de trabalho. Nesse artigo de 2009, uma graduanda de direito já compartilhava as dificuldades e a importância de se ter um ambiente de trabalho diverso e inclusivo.

Em 2018, a CONQUEER (Conferência Internacional de Estudos Queer), lançou um e-book falando sobre preconceitos e discriminações da comunidade LGBTQIA+ no mercado de trabalho. O material explica o quanto o preconceito é nocivo para os LGBTQIA+, para a sociedade e para os empregadores.

Para entender a gravidade do problema, confira alguns dados divulgados após uma pesquisa realizada pelo LinkedIn em 2019:

Quadros amarelos que representam os números da comunidade LGBT no mercado de trabalho
Acompanhe os números da comunidade LGBTQIA+ no mercado de trabalho.

Nossa expectativa é que esses números mudem. Nos últimos 2 anos, a campanha #ProudAtWork ganhou força nas empresas, que a cada dia buscam por mais diversidade e inclusão.

No início, essas iniciativas eram estimuladas por pequenos grupos LGBTQIA+, mas com o passar do tempo, criaram-se comitês de diversidade, áreas e cargos especializados para garantir que os ambientes corporativos sejam mais diversos.

Não à toa, começou-se a perceber algumas diferenças notáveis nas empresas que lutaram pela diversidade: maior produtividade e inovação. A explicação é simples: pessoas com liberdade de expressão sentem-se mais à vontade para contar suas trajetórias e processos, isso ajuda muito na pluralização das histórias, vivências e culturas. 

Uma empresa capaz de olhar em diferentes perspectivas, consequentemente é uma empresa com alta sobrevivência e adaptabilidade, que são grandes habilidades diante do mercado competitivo. 

Inclusão, de verdade

Nas palavras da Bruna Martins, que compõe nosso time de endomarketing, diversidade é chamar uma pessoa para a festa e inclusão é convidá-la para dançar: “Gosto muito dessa comparação e penso que inclusão no mercado de trabalho é quando somos convidados a dançar, e essa dança começa quando dentro do nosso ambiente de trabalho podemos ser apenas nós mesmos, com nossos passos de dança, sejam eles como de uma bailarina profissional ou um pouco desajeitados. Inclusão no mercado de trabalho, para mim é poder trazer ideias sobre minhas vivências, é poder me expressar de acordo com o que vivi e é ser convidada a colaborar ativamente em temas que me dizem respeito enquanto pessoa LGBTQIA+.”

Inclusão, então, é sim sobre se expressar em uma dança própria, mas também é sobre ter a voz ouvida e considerada nas discussões da empresa: “Quando fui convidada pra ler o texto que a nossa agência tinha produzido sobre o mês do orgulho LGBTQIA+ fiquei muito feliz não só em poder contribuir, mas em saber que a empresa quer ouvir a minha voz, quer saber a minha opinião e principalmente quer tratar esse assunto de dentro pra fora da corporação.”

Mas como transformar boas intenções em ações?

“Por onde começar?” Essa é uma pergunta frequente entre as empresas que buscam mais diversidade e inclusão no ambiente de trabalho. A Bruna aponta que tudo precisa começar antes da contratação: “uma empresa diversa pensa melhor, pensa maior, pensa através da perspectiva de pessoas com histórias diversas. É importante nos questionarmos constantemente:

  • Por que na minha empresa tem mais homens do que mulheres e porque a maioria deles é branco?
  • Quantas mulheres estão ocupando cargos de liderança na minha empresa atualmente?
  • Quantas pessoas gordas tem no meu time?
  • Quantas pessoas portadoras de deficiência foram contratadas esse ano na empresa?

Essas perguntas nos tiram da nossa zona de conforto. A partir delas, podemos traçar planos com objetivos específicos para ter uma empresa diversa e construir juntes um ambiente de trabalho saudável”

Porém, as ações não param após o recrutamento. É preciso capacitar as pessoas, abrir espaço para o aprendizado coletivo. A inclusão deve ser uma prioridade, uma meta para todos. O Allan, designer na All iN | Social Miner, que já escreveu sobre o tema aqui no blog, destaca:  “Não basta esperar que do dia pra noite você irá receber candidatos diversos, que possuem perfeitas qualificações e estão prontos para fazer parte do seu time. É importante estar aberto a treinamento, capacitação e entender os diversos cenários de onde vêm os profissionais LGBTQIA+”.

 “Acredito que investir em treinamento, principalmente de vieses inconscientes, seja uma ótima estratégia de negócio. A aproximação das lideranças no assunto de inclusão e diversidade é fundamental para que as pessoas se sintam à vontade e principalmente livres para falar sobre o assunto. Acredito que a proximidade da liderança com a pauta também aproxima as pessoas que não tem tanto conhecimento do tema para conhecer, se informar e se desconstruir.”, complementa Bruna. 

Comunidade LGBTQIA+ no mercado de trabalho de marketing digital

Apesar dos avanços, ainda é difícil medir a participação da comunidade LGBTQIA+ no mercado de trabalho, principalmente quando falamos de algum setor específico, como o marketing digital.

Apesar da escassez de dados, o marketing conta com algumas iniciativas, como a #PropagandaPelaDiversidade, que busca garantir a participação de pessoas LGBTQIA+ nas campanhas publicitárias.

A ideia de pluralidade e inclusão vem ganhando força, mas é preciso pensá-la não só para o público, mas também para os funcionários, colaboradores e parceiros que precisam contar com esse ambiente seguro dentro do marketing.

Qual a importância da diversidade nas empresas?

Uma pessoa LGBT segurando uma placa de coração em frente à bandeira de arco-íris demonstrando toda a potencia da comunidade LGBT no mercado de trabalho.
A inclusão da comunidade LGBTQIA+ no mercado de trabalho agrega valor às marcas

Empresas diversas e inclusivas lideram o mercado. E não só porque essa pluralidade traz benefícios, mas também porque acolhe um grupo extremamente representativo e importante. Entenda:

  • Ter um time diverso ajuda a empresa a amadurecer para questões sociais;
  • Garante um espaço acolhedor para todos os stakeholders;
  • Torna a marca mais atrativa para o consumidor digital que cada dia dá mais importância para as questões de responsabilidade social e representatividade;
  • Aumenta a produtividade do time;
  • Ajuda na criatividade e inovação do negócio;
  • Promove um ambiente seguro e saudável para a comunidade LGBTQIA+;
  • Gera oportunidades de emprego para pessoas qualificadas que podem não ter tido uma oportunidade para mostrar suas habilidades.

Esses são apenas alguns benefícios que criar um ambiente diverso e inclusivo traz para o seu negócio. 

Agora é lei: alguns direitos LGBTQIA+ no Brasil

Além de leis que condenam discriminações por raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional, como a Lei nº 7.716, já existem algumas formas de se proteger da homofobia. 

É sempre importante lembrar que a homofobia é um crime previsto no Código Penal brasileiro para assegurar os direitos da comunidade LGBTQIA+. O artigo 140 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940, prevê multa ou detenção para quem injuriar ou ofender como uma forma de criminalizar a homofobia.

Além disso, a SNPG (Secretaria Nacional de Proteção Global), por meio da DPLGBT (Diretoria de Promoção dos Direitos de LGBT), criou o Grupo de Trabalho de Empregabilidade LGBT, por meio da Portaria nº 6, de 23 de setembro de 2019, com o intuito de criar políticas inclusivas para à promoção e respeito à população LGBTQIA+ nas relações de trabalho. Saiba mais sobre o edital aqui.

Como ser inclusivo na prática?

Mas na hora de contratar e se comunicar com o público LGBTQIA+, o que as empresas precisam fazer? Como ser inclusivo na prática? Confira algumas dicas:

  • Adote uma comunicação inclusiva;
  • Abra canais como o blog, site e redes sociais da marca para projetos de visibilidade LGBTQIA+;
  • Promova rodas de conversa sobre inclusão e diversidade com os times, entendendo sempre o que pode melhorar na empresa para contribuir com esse acolhimento;
  • Apoie ONGs e instituições que fazem esse trabalho de acolhimento diariamente e lutam pela causa;
  • Apoie artistas e influenciadores LGBTQIA+ consumindo e compartilhando o conteúdo produzido por eles;
  • Abra rodas de escuta, nas quais as pessoas LGBTQIA+ possam compartilhar as suas experiências. É importante que esses momentos reúnam não apenas a comunidade LGBTQIA+, mas todo o time.

Inspire-se!

Três pessoas mostrando a representatividade LGBT no mercado de trabalho
LGBTQIA+ no mercado de trabalho: da propaganda às políticas internas da empresa.

O apoio de grandes marcas é fundamental para dar visibilidade à comunidade LGBTQIA+, inclusive no mercado de trabalho. Vamos relembrar algumas empresas que promovem diversidade e inclusão?

 

  • Grupo Pão de Açúcar: 

 

Em 2017, o GPA assinou um compromisso pela promoção dos direitos LGBTQIA+, criou o grupo de afinidade Orgulho LGBTQIA+ para promover a diversidade nas empresas do grupo e aderiu ao festival #AgoraVai, que tem como objetivo capacitar pessoas trans para o mercado de trabalho, além de serem parceiros da Transempregos.

 

  • Ambev: 

 

Em 2016, por meio da Skol, a Ambev lançou a campanha “Respeito in ON”, para celebrar o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+. Em 2019, a marca também promoveu o tuitaço com a hashtag #OrgulhoDaMinhaHistória, que doou R$ 1 a cada post para duas ONGs LGBTQIA+:  Casa 1 e Casinha, que receberam, no total, R$ 100 mil.

 

  • Natura:

 

O grupo de afinidade da empresa leva o nome “Natura em Cores” e também prevê a promoção da diversidade e inclusão. Em 2019, a marca também lançou a linha “FACES”, incentivando o orgulho de ser quem é e amar quem quiser.

 

  • Raccoon Marketing Digital:

 

A agência Raccon criou o grupo “Chusma diversidade” com voluntários, para promover debates e criar eventos como a semana da diversidade.

 

  • Apple: 

 

O CEO da empresa, Tim Cook, em artigo para The Wall Street Journal, confirmou que os interesses da empresa estão alinhados com os da comunidade LGBTQIA+. A empresa também se uniu a outras grandes marcas contra a legislação anti-LGBTQIA+ nos EUA.

Já passou da hora de quebrar os preconceitos!

Cada dia mais a comunidade LGBTQIA+ ganha voz e espaço no mercado de trabalho. Seja um aliado nessa luta. Transforme a sua empresa em um ambiente acolhedor, crie espaços seguros, diversos e inclusivos. Isso tudo deve estar alinhado aos propósitos e missões do negócio. 

Se quiser saber mais sobre como trabalhar a diversidade em sua empresa, conheça algumas iniciativas como o Fórum de Empresas e Direitos LGBTQIA+, TransempregosUNAIDS e o Comitê de Inclusão e Diversidade da Locaweb. 

 

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