Indie-commerces e os novos hits do varejo

Indie-commerces e os novos hits do varejo

Se você acha que não consegue mais viver sem comprar quase tudo online, você deve estar na mesma bolha que eu, ou talvez não tenha reparado que ainda vivemos em um mundo predominantemente offline.

Embora o comércio eletrônico não pare de crescer, hoje ele ainda representa menos de 5% de todo o faturamento do varejo brasileiro e destes, os 5 maiores grupos de e-commerce concentram mais de 50% da receita. Ou seja, podemos esperar muitas mudanças pela frente.

Enquanto o consumidor se adapta às novas rotinas e experiências de compra virtual, novos players e setores ganharão espaço e terão muitos desafios tentando sobreviver.

A sobrevivência dos e-commerces

O Brasil está entre os 10 maiores mercados de e-commerce do mundo. Além de milhões de consumidores, também contamos com milhares de sites destinados a vendas digitais. Para ser mais exato, 600 mil sites de e-commerce foram mapeados no Brasil em 2017. A grande maioria (90%) é de pequenas e médias empresas, das quais quase metade está com uma situação financeira empatada ou no prejuízo.

A estratégia de Marketing aparece como uma das principais dificuldades para estas empresas, não é à toa. Mesmo com um produto/serviço incrível e uma boa administração, é muito difícil competir com as grandes marcas na hora de atrair novos consumidores.

Diferente do comércio local, onde você finca uma bandeira da sua marca na rua ou região da sua loja, na internet grandes marcas podem dominar os principais canais de publicidade e pagar caro para estar à frente nos buscadores e banners espalhados por todos os sites que você visita. Contudo, novos canais, formas e tecnologias começam a surgir como uma alternativa para a atração de consumidores.

Canais do futuro e a experiência local

Quando pensamos em publicidade digital, o que vem na cabeça são aqueles banners que, depois de serem exibidos exaustivamente nas nossas telas, já aprendemos a ignorar enquanto navegamos na internet e em breve poderemos desativar nativamente no próprio navegador. Ou no SPAM nosso de cada dia, que recebemos diariamente por email, muitas vezes sem autorização, e que também tende a diminuir com novas leis de proteção de dados pessoais.

Mas você já parou pra pensar que outros canais estão surgindo e como as marcas estão começando a usá-los para criar um relacionamento com os consumidores? Novas redes sociais, aplicativos de mensagens e formatos como pushes e notificações oferecem uma oportunidade para os pequenos e médios varejistas na internet e lojas físicas.

Eu por exemplo, agendo visitas dos meus gatos ao veterinário e compro produtos pelo Whatsapp, eles são entregues aqui em casa mais rápido que qualquer e-commerce. Marco horário com meu barbeiro pelo Messenger enquanto caminho para o trabalho e, vira e mexe, eu saio a pé para comprar roupas em lojas perto de casa porque vi as novidades no Instagram.

Embora muitos destes canais ainda não ofereçam uma solução escalável (quando existe um alto volume de atendimento e clientes), pequenas empresas estão aproveitando e gerando muitos negócios com eles. E posso confessar uma coisa? Estou adorando, porque é a experiência de compra mais humanizada e “omnichannel” que tenho tido ultimamente.

Além destes canais, outra forma de pequenos negócios se destacarem são os marketplaces de nicho. Eles podem incluir novas marcas no radar dos consumidores que procuram algo diferenciado. Por exemplo, o site americano indigofair.com foca apenas em produtos não tão conhecidos, mas com propostas diferentes e super autênticas. Lá você pode se cadastrar para experimentar produtos que vão desde cosméticos orgânicos até itens exclusivos de moda.

Achei interessante, inclusive, terem uma categoria de produtos “não estão na Amazon”. No Brasil, um bom exemplo é o site boobam.com.br, um marketplace para artistas e designers brasileiros.

Todos estes novos canais (e os que ainda nem chegaram) serão responsáveis por viralizar produtos e expor tendências por meio de seus influenciadores e algoritmos inteligentes que vão proporcionar, além de novas formas de distribuir produtos online e offline, mais escala e assertividade nas ações das marcas. A experiência de compra vai continuar mudando.

Os e-commerces independentes (indie-commerces)

Com novas possibilidades de conexão entre consumidores, será que vamos continuar consumindo da mesma forma? Vou fazer um paralelo aqui com um a história que já conhecemos.

Quando Michael Jackson lançou seu álbum Thriller , o mais vendido da história, parte desse sucesso foi provavelmente por não termos muitas outras opções disponíveis ou acessíveis naquela época. Não estou desmerecendo o artista, eu realmente acho que ele foi o rei do Pop, mas qual era a chance de alguém nos anos 80 escutar algo diferente disso na rádio ou TV?

Com base na teoria da cauda longa, fenômenos como esse dificilmente acontecerão novamente, pois com a internet e novos canais, conseguimos consumir o que queremos, incluindo as bandas e artistas independentes de grandes gravadoras (indie music). Desta forma, é difícil controlar o que o que as pessoas vão consumir.

Veja um exemplo brasileiro de como as coisas mudaram:

Neste ano de 2018 artistas famosos do Brasil tentaram criar o hit do carnaval. Clipe com gringo, super produções, gravadora, planejamentos e muitos investimentos… Mas eis que surgem três meninas de 15 anos da periferia do Recife com uma música e um vídeo feitos em casa, e DUAS SEMANAS depois de colocarem o vídeo no youtube, goste você ou não, a música Envolvimento da MC LOMA se tornou o hit do Carnaval.

E eu acredito que essa história deve se repetir também com os varejo e os e-commerces. Novos canais de distribuição serão uma alternativa para as pessoas que não querem consumir apenas o padrão de mercado (mainstream), mas que querem ter a chance de descobrir marcas autênticas e alinhadas com o perfil e estilo de cada um.

Com este movimento, pequenos e médios negócios terão cada vez mais chances de crescer de forma independente e alcançar seu público, online ou offline, atraindo pela experiência e autenticidade, independente do grande mercado de consumo e sua constante batalha de preços.

Aproveitando: listei algumas marcas aqui que acompanho. Tem alguma que gosta? Coloca nos comentários 😉

wolkenshoes.com.br
www.enk-b.co
www.oriba.com.br
www.bolovo.com.br
docbarbearia.com.br

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