Diversidade no mercado de trabalho e a visibilidade LGBTQIA+

Diversidade no mercado de trabalho

Oi, meu nome é Allan. Sou um homem cis, branco e gay. Tenho 26 anos, faço parte do time de Branding da Social Miner e vim compartilhar com você algumas reflexões sobre diversidade no mercado de trabalho. 

Honestamente, quando recebi o convite para falar da minha experiência e visão sobre a relação do profissional LGBTQIA+ com o mercado de trabalho, fiquei um tanto desnorteado sobre o que e como escrever. Principalmente devido ao momento que estamos vivendo. 

Mas espero que consiga trazer pra roda alguns tópicos importantes que não podem deixar de ser discutidos.

Bora lá?

Sou

“Exclusão social e relações de trabalho”

Tenho muito orgulho de poder dizer que quando entrei na Social Miner não senti medo algum de me assumir gay para os meus colegas de trabalho. E fico muito feliz de saber que os meus colegas, que também são do vale, possuem opiniões parecidas. 

Porém, isso não quer dizer que passamos ilesos, mas sim, como diversas outras empresas, precisamos estar sempre alertas e criar um ambiente de aprendizados e mudanças. 

“Eu me sinto aceita e incluída, mesmo tendo que lidar diariamente com piadas homofóbicas. É aquela homofobia velada, disfarçada de “brincadeira”, quando um homem fala “ai vocês dois estão indo embora juntos? Hmm, não sei, não”. Ou quando um homem hétero fica “imitando gay”. São coisas que parecem inofensivas, mas que nos machucam muito”. 

Bruna Martins, assistente de Facilities na Social Miner

Tenho que concordar com a Bruna: estamos longe de sermos perfeitos em questões de diversidade e acredito que temos um caminho muito mais longo a trilhar.

É que dentro da minha condição de homem cis, branco e gay, jamais sofrerei como uma mulher lésbica que sofre também com o machismo; ou sentirei a dor que uma mulher trans negra sente em uma situação de transfobia e racismo. 

Mas acredito que abrir essa discussão e compartilhar esses relatos possa ajudar pessoas cis-héteros a entender melhor o que passamos diariamente.

Por exemplo: em um dos meus primeiros empregos, eu era responsável pela curadoria fotográfica das redes sociais de uma empresa. Como ainda estava me descobrindo, não mencionei para os meus colegas de trabalho que era gay. 

Porém, ao selecionar uma imagem, meu diretor disse: “Não usa essa foto, porque esse cara é maior ‘viadão’”. No momento eu disfarcei e continuei o meu trabalho, mas foi nessa hora que decidi que iria pedir demissão.

Mas além deste episódio deplorável, tiveram outros. Como eu era considerado “um dos caras”, eu costumava ouvir piadinhas machistas e homofóbicas o tempo todo, o que certamente me fez sentir que eu jamais seria parte daquele grupo, apenas por ser quem eu era. 

Este tipo de comportamento é extremamente doentio para um time que convive diariamente.

Por isso fica aqui o meu questionamento: como você, líder, lida com seus colaboradores ao ouvir uma fala homofóbica? Já pensou que talvez o seu melhor funcionário seja LGBTQIA+? E que você possa perder um excelente profissional por causa de uma atitude tão indigna?

Na dúvida, por que não lembrar esse diálogo sensacional do The Office (ps: não sejam o Michael 😂):

Michael Scott: There could be others. I need to know. I don’t want to offend anybody else

(Podem haver outros. Eu preciso saber. Eu não quero ofender mais ninguém).

Dwight Schrute: You could assume everyone is, and not say anything offensive.

(Você poderia pressupor que todo mundo é, e não dizer nada ofensivo)

Michael Scott: Yeah. I’m sure everyone would appreciate me treating them like they were gay.

(Aham. Eu tenho certeza que todos gostariam que eu os tratassem como se fossem gays)


“Passa o microfone mana”

Eu sei que é difícil passar o microfone logo depois de cantar evidências no karaokê. Mas acredito que temos muito a aprender e — mais importante — tem, sim, muita gente bacana disposta a falar e ensinar.

Por exemplo: a gente perguntou para o nosso time quais seriam os primeiros passos para fazer uma empresa diversa. E o Account Manager, Felipe Santos, foi direto ao ponto:

“Contratar representantes de todas as causas. Não só LGBTQIA+, mas também mais pretos, mulheres…”. 

Assim como o Felipe, acredito que toda empresa que levanta a bandeira de diversidade deve, sem dúvidas, contratar uma gama de rostos, cores, corpos e sexualidades. O multiculturalismo dentro do ambiente de trabalho só agrega e expande os horizontes de quem está disposto a ouvir.

Uma pesquisa da Harvard Business, por exemplo, revela que organizações que investem em diversidade e num ambiente empresarial no qual se respeita as diferenças, os conflitos são reduzidos em até 50%.

um estudo da McKinsey & Company prova que empresas com diversidade étnica,  racial e de gênero tem até 35% mais chances de ter rendimentos acima da média do seu setor.

Por isso, mais do que falar, acho importante dar a minha voz, sempre que puder, para causas que muitas vezes são ignoradas. Por exemplos, vocês já leram o post do Jay, que também fala sobre diversidade no mercado de trabalho? Lá é possível encontrar diversas ações e projetos profissionais voltados para as questões LGBTQIA+, como o TransEmpregos, o Reprograma e a PrograMaria.

Artboard 1

“Logo com fundo arco-íris.jpeg”

Eu sou designer, então não podia faltar um tópico sobre o tal do avatar com as cores do arco-íris. 

É que quando chega o mês de junho, somos tomados por um turbilhão de campanhas publicitárias e perfis em redes sociais com o famoso logo abraçado pelas cores da bandeira LGBTQIA+ — um grande símbolo que diz “estamos aqui com vocês”.

Mas, será que estão mesmo? Esse é o ponto que tenho me questionado ultimamente. 

Quem segue a Social Miner sabe que também participamos dessa ação (inclusive, a gay que vos fala foi quem subiu a arte rs). Mas qual é a importância real por trás desse logo?

Pessoalmente, acredito que esse é o primeiro passo de uma longa jornada de normalização do profissional LGBTQIA+. 

Ter um grande banco, uma rede de supermercados ou uma super marca de moda que apoia a causa tem um enorme impacto na vida de milhões de brasileiros. É sobre visibilidade. É uma ponte entre a diversidade e quem prefere ignorá-la ou simplesmente não tem a chance de ter contato.

Quando pensamos num contexto de cidade grande, como São Paulo, essa ação pode até parecer ínfima. Afinal, apesar de estar longe do ideal, a diversidade por aqui persiste e ocupa os espaços. A discussão é mais presente — e ainda bem.

Mas precisamos olhar também para as pequenas cidades, para o jovem adolescente do interior, para a família “tradicional” e de preconceitos enraizados, e entender o quanto a diversidade reverbera quando essas pessoas veem o logotipo do banco — o banco que ela usa — ou da loja de roupas — da marca que ela veste — com o nosso arco-íris, aparecendo na propaganda no horário nobre da televisão.

Dito isso, ainda é bom saber: esse é apenas um passo de uma jornada muito maior. E cabe a nós cobrar. Não podemos deixar que simplesmente usem as nossas cores como bem entenderem. 

Então se manifeste. Poste nas redes sociais, mande e-mails, comente, grave vídeos, reclame. Porque como profissional de branding, posso te afirmar, com certeza, que as empresas estão ouvindo.

Sashay

“Now, sashay away”

Como diria a RuPaula, chegou o fim do post! E eu gostaria de agradecer por poder compartilhar as minhas experiências aqui no blog e a você que reservou um tempinho para ler uma das milhares de vozes que necessitam ser ouvidas ❤️🧡💛💚💙💜

*por Allan de Araujo Bueno, designer especialista na Social Miner

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